quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Refutação da lógica apofântica

É claro que isto não quer dizer absolutamente nada sobre o desempenho dos professores das escolas públicas, ou pelo menos não tão absolutamente como a fina ironia do Rodrigo quer fazer crer. E não quer porque, para podermos extrair algum sentido dos rankings que anualmente são conhecidos, temos que valorar os critérios com base nos quais são elaborados e afastar elementos perturbadores do logicismo com que o Rodrigo aborda a questão. Por isso, sem tempo para me alongar sobre o assunto, deixo apenas inscritas duas notas que talvez permitam relativizar os números. Em primeiro lugar, se o elemento determinante dos referidos rankings é a classificação dos alunos, não é despiciendo pensar que as Escolas Privadas podem, com apelo a múltiplos critérios, seleccionar o seu público, facto que se comprova, enquanto as Escolas Públicas se vêem confrontadas com todo o tipo de alunos, com preparações díspares e motivações também variadas. Em segundo lugar, o êxito alcançado – que não se desmerece – nunca pode ser o resultado determinístico da actuação dos docentes, já que estes não são peças isoladas, mas parte integrante de um sistema que, cultivando, contra a sua vontade, o paternalismo e o facilitismo, os coarcta no desempenho da sua missão. Pelo que, se calhar, a manifestação, a haver, deverá ser contra a política educativa deste país.

3 comentários:

Freddy disse...

Que volte a palmatória de furos!

Carlos Botelho disse...

Mafalda,
louvo-lhe a paciência. É o que se chama gastar cera com defuntos.

Mafalda Miranda Barbosa disse...

Carlos,

pois é. É politicamente correcto dizer mal dos professores. É fácil e encontra eco na maioria. Pena é que, quando o fazem, mostrem uma profunda ignorância do sistema.